NÃO DEIXE O MAR TE ENGOLIR
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"É um caso antigo mas que nunca sai de moda: O amor. Esse sentimento intrínseco é visto como clichê pela maioria, rude para os desprovidos de reciprocidade e sublime para os que tiveram a felicidade de tê-lo em mãos por muito tempo. O amor eu tive, a reciprocidade não, mas hoje tenho uma visão ampla de tudo isso e sei que tive sorte, de certa forma. Sentir amor é difícil, e as pessoas costumam não se sentirem bem se não houver resposta. Eu também pensava assim, até pouco tempo – onde percebi que toda forma de amor é válida, servindo de base para a construção de novas possibilidades e conquistas. Os amores passados, na maioria das vezes, acabam causando frustrações intensas e nos leva a negativar a situação toda, pois a raiva, junto com a rejeição, são sentimentos fortes o suficiente para destruir a racionalidade. Porém, são esses mesmos amores que nos fazem amar novamente, quando estamos distraídos, imperceptivelmente viajando mentalmente na imensidão dos sentidos. No meio de uma conversa e outra, à espreita da novidade, o encantamento por outra pessoa se apresenta e tudo se normaliza. O passado desastroso não se esvai, mas chega um momento em que ele não fere mais. A cura para um coração partido não é o tempo… O próprio coração partido se autorregenera por costume."
Junior Lima
"Então compreendi perfeitamente o que gerava a dor. Não era o corte com a ponta da faca, a topada na quina da cama, o amigo que não liga mais, o café que sujou o fogão, as palavras duras, as notícias na tv, obviamente isso soma-se ao fardo, mas não é ele em si. A dor era gerada pela sede insaciável do nada. Pois quando não se tinha o que queria sofria e quando conseguia almejava outra coisa para sofrer. E é por essa sede que os humanos consomem seus dias, pelos futuros que nunca virão ou que serão fadados quando chegarem. E a maior idiotice era perceber: eu também era um desses tais que nunca estava de barriga cheia."
Fernando Pessoa
"O segredo está na graça da vida! Ser meticulosamente leve e solto, capaz de divagar sem lógica sobre o universo e seus espaços vagos. Você seria capaz de acreditar na piedade, no perdão? E quem sabe um dia no silêncio noturno dos pensamentos, com os olhos pregados no céu e as palmas no chão, descobrir, por um mero acaso, a origem dos anéis de saturno. Sim, os teus olhos partiram, eram feitos de mel. Eu posso ver a tua iris dourando a imensidão que nos encara e sangra, escancara nossa ínfima existência, terrena, inócua, finita. E se multiplicássemos o amor? Será que nos tornaríamos mais humanos? Acredite, nossa previsibilidade e dependência do outro é absurda. Nossa necessidade de companhia, uma derrota irremediável. O segredo está na graça da vida! No humor, no aroma suave e doce da margarida. Não me fale de confiança e jamais ouse soletrar a palavra traição. Se pararmos por um segundo perceberemos que somos todos feitos da mesma matéria, que sonha, que chora, que morre e se recolhe ao fundo de nós. Não somos donos de nada, somos apenas infelizes aprendizes nessa arte difícil de amar."
Elisa Bartlett
"O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece."
Charles Bukowski
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